Estudo do Instituto de Pesca destaca valor nutricional, econômico e ambiental da pesca artesanal no Sistema Estuarino de Santos–São Vicente

Entre os resultados, destacam-se espécies de grande importância para a pesca local, como a corvina e o parati, que apresentam elevados volumes de captura e contribuem simultaneamente para a geração de renda

03/09/2026 às 12:32 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
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Parati (Mugil curema)

Os resultados reforçam a importância de políticas públicas que considerem, de forma integrada, aspectos econômicos, nutricionais e ambientais na gestão dos recursos pesqueiros. A pesquisa avaliou nove espécies de pescado capturadas no SESS, considerando composição centesimal, perfil de ácidos graxos, perfil de aminoácidos, volume de produção, valor econômico e situação de conservação. As amostras foram coletadas em diferentes estações climáticas, permitindo também avaliar possíveis variações sazonais na composição dos alimentos.
 

Entre os resultados, destacam-se espécies de grande importância para a pesca local, como a corvina (Micropogonias furnieri) e o parati (Mugil curema), que apresentam elevados volumes de captura e contribuem simultaneamente para a geração de renda dos pescadores e para a oferta de alimentos de elevado valor nutricional à população.
 

O parati (Mugil curema) apresentou o maior teor de proteína entre as espécies de peixes analisadas, alcançando 25,37g/100g. Os resultados também demonstraram que, embora o parati e os moluscos avaliados apresentem baixo teor de gordura, possuem proporções relevantes de ácidos graxos polinsaturados da série ômega-3, nutrientes associados a importantes funções fisiológicas e reconhecidos pelo seu papel na alimentação saudável. As concentrações apresentaram, ainda, variações relacionadas à sazonalidade.

A diversidade observada entre as espécies reforça que o pescado não deve ser considerado um produto homogêneo, uma vez que sua composição nutricional pode variar significativamente de acordo com a espécie e as condições ambientais.
 

Valor econômico aliado à conservação

Além da dimensão nutricional, o estudo incorporou informações sobre produção pesqueira, valor monetário na primeira comercialização e status de conservação das espécies. Essa abordagem amplia a tradicional avaliação econômica da pesca e permite compreender o pescado também como um recurso estratégico para a segurança alimentar e nutricional.

Embora a maioria das espécies avaliadas não esteja atualmente classificada como ameaçada de extinção, o estudo chama atenção para situações que exigem acompanhamento. O caranguejo-uçá (Ucides cordatus), por exemplo, encontra-se classificado como “quase ameaçado”, enquanto algumas espécies comercialmente importantes ainda apresentam lacunas de informação quanto ao seu estado de conservação.
 

Para a pesquisadora do IP e coordenadora do estudo, Érika Furlan, esses resultados demonstram que valorizar o pescado significa ir além do preço de comercialização. “O valor de uma espécie também está relacionado à sua contribuição nutricional, à importância para a alimentação das comunidades, à geração de renda e à necessidade de assegurar a manutenção dos estoques pesqueiros para as futuras gerações.”
 

Ainda de acordo com a pesquisadora, a valorização do pescado precisa considerar o conjunto de benefícios proporcionados pela pesca artesanal. “Quando integramos informações econômicas, nutricionais e ambientais, conseguimos compreender de maneira mais ampla a importância desses recursos e produzir evidências capazes de subsidiar políticas públicas mais eficientes”, destaca.
 

Ciência para fortalecer a pesca artesanal

Os resultados do estudo contribuem para ampliar o conhecimento sobre os recursos pesqueiros do Sistema Estuarino de Santos–São Vicente e oferecem subsídios para estratégias de gestão sustentável da pesca, valorização dos produtos da pesca artesanal e promoção da segurança alimentar e nutricional.

A pesquisa reforça, ainda, a necessidade de políticas públicas que aproximem as agendas de produção de alimentos, conservação da biodiversidade, saúde e desenvolvimento socioeconômico, reconhecendo o pescado artesanal como alimento de qualidade e como elemento fundamental para a sustentabilidade das comunidades costeiras.
 

Nesse contexto, o projeto Valoriza Pesca buscou produzir e disseminar conhecimento capaz de fortalecer a cadeia produtiva da pesca artesanal, contribuindo para a valorização do trabalho dos pescadores, para a melhoria da qualidade do pescado e para uma gestão dos recursos pesqueiros orientada por evidências científicas.

Informações: Assessoria de imprensa Instituto de Pesca


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